segunda-feira, 28 de março de 2016

NÃO É LOUCURA - Os tratamentos, casos, dívidas e preconceitos que cercam a esquizofrenia



A esquizofrenia é comumente taxada como "coisa de louco", e muitas vezes as pessoas sequer sabem o nome desse transtorno. Por isso, é muito importante ressaltar seus sintomas, características, dados e sua definição propriamente dita, para que, assim, se perceba a diferença entre este distúrbio, que é um tipo de psicose, da psicopatia, a qual, diferente dos transtornos psicóticos, não é tratada como uma patologia. 

Transtorno jovem
Não se pode discorrer sobre um transtorno mensal sem antes conhecer o básico a seu respeito. A esquizofrenia é uma doença que afeta alguns campos da mente, como o juízo crítico, as emoções e a percepção da realidade. Seus sintomas são divididos em positivos, alucinações e delírios, e negativos, em que a dificuldade de se expressar e o isolamento social são mais comuns. 
Diferentemente de outras psicoses, a esquizofrenia pode aparecer mais cedo. Segundo o psiquiatra Rodrigo Pessanha, há um pico de incidência "entre homens até 23 anos de idade, enquanto nas mulheres, o mesmo ocorre por volta de 25 anos. No entanto, pode haver casos na infância, sendo estes mais graves e de pior prognóstico, uma vez que a própria noção de identidade pessoal é atingida em seus primórdios, levando a um prejuízo mais importante do funcionamento global". Se forem realizados diagnósticos semelhantes em pessoas mais velhas, devem ser consideradas outras hipóteses de distúrbios.
A esquizofrenia, oficialmente, tem diferentes avaliações. Na Classificação Internacional de Doenças (CID-10), último manual da Organização Mundial da Saúde (OMS), o distúrbio é dividido em paranoide (predominância dos sintomas positivos) e hebefrênica (sintomas negativos). Porém, na mais recente versão do Manual Diagnóstico e Estatística dos Transtornos Mentais (DSM-5), esta subdivisão foi retida.

Sentidos em delírio
Os sintomas mais conhecidos da esquizofrenia são as alucinações, que segundo a psiquiatra Sofia Bauer, "podem ser visuais, auditivas ou de sensações - ver, ouvir e sentir coisas, de certo modo, bem estranhas. Como escutar vozes de mortos, enxergar pessoas que os outros não veem, notar cheiros esquisitos". Normalmente, estes delírios são associados à audição, no entanto, mesmo que mais raros, também podem estar ligados aos outros sentidos - visão, olfato, paladar e tato. E, por vezes, misturando-os, criam-se experiências sinestésicas, como "enxergar sons". "As alucinações sinestésicas, ainda que relativamente incomuns, podem ocorrer especialmente incomuns, podem ocorrer especialmente em pacientes com marcante desorganização do pensamento e confusão mental", completa Pessanha.

Mudanças no cérebro
Em geral, os esquizofrênicos têm toda massa encefálica afetada, provocando o mau funcionamento dos neurônios, diminuindo sua atividade e, conseguintemente, da comunidade cerebral.
No cérebro, as alterações causadas pela esquizofrenia não possuem áreas bem definidas e, de acordo com a psiquiatra Helena Mura, "fala-se, na verdade, de alterações entre conexões de algumas partes do cérebro, cada uma com diferentes funções". O aumento de dopamina em ligações das regiões centrais do cérebro ao córtex pré-frontal pode provocar alucinações. E, por outro lado, a redução desse neurotransmissor em conexões das áreas ligadas ao prazer e às emoções é responsável pela dificuldade de expressão de sentimentos e da falta da satisfação.
Além da dopamina, “o glutamato tem sua função diminuída, e há participação da serotonina e da acetilcolina, neurotransmissores que interferem na liberação dos demais”, completa Mura.
Os tratamentos empregados em casos de esquizofrenia também estão relacionados a estas substancias. “A maioria dos medicamentos utilizados nas intervenções, assim como em outras doenças psiquiátricas caracterizadas por sintomas psicóticos, bloqueia receptores específicos da dopamina, em uma tentativa de reequilibrar os circuitos hiperativos”, conclui Rodrigo Pessanha.
Personalidade múltipla ou esquizofrenia?
Casos mais graves de indivíduos diagnosticados com o transtorno podem criar um estigma social negativo e desnecessário. Contudo, é inegável a existência de criminosos que desenvolveram tais comportamentos por causa da esquizofrenia. Os exemplos mais famosos são frequentemente retratados em produções audiovisuais, seja em documentários, filmes ou séries. A notícia mais recente de um caso que vai parar nas telas de cinema é o do norte americano Billy Milligan, condenado por assaltos à mão armada e estupros. Porém, Billy foi absolvido por insanidade mental devido a alegações de seus advogados de que outras duas personalidades de seu cliente teriam cometido os crimes sem ele saber. Com toque de Hollywood, o filme The Crowded Room, ainda em, fase de pré-produção, se baseará na história de Milligan. Na adaptação, ele será interpretado por Leonardo DiCaprio, que mostrará 24 personalidades diferentes.
Porém, a atribuição dessa variedade aos sintomas da esquizofrenia deve ser cautelosa. Segundo Pessanha, “a esquizofrenia é frequentemente confundida com o transtorno de personalidade múltipla, uma condição raríssima e contestada por muitos especialistas que sugerem a invenção sobre sua real existência”. A confusão é, até certo ponto, compreensível se examinar a palavra ‘esquizofrenia’, que “é de origem latina, significando literalmente ‘divisão da mente’. No entanto, são dois tipos de condições psiquiátricas completamente diferentes”, explica Pessanha.
Legalmente, segundo a Artigo 26 do Código Penal Brasileiro, “é isento de pena o agente que, por doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou retardado, era, ao tempo da ação ou da omissão, inteiramente incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento”. 
Fonte: Revista Segredos da Mente
  

segunda-feira, 21 de março de 2016

Páscoa

VOCÊ SABIA QUE A DATA É COMEMORADA EM VÁRIAS PARTES DO MUNDO E O OBJETIVO É CELEBRAR A VIDA, A RENOVAÇÃO? DESCUBRA MAIS!
  1. A palavra "Páscoa" vem do hebraico, "Pessach", que significa "Passagem". É quando o povo judeu festeja a sua libertação da escravidão no Egito.
  2. Para os cristãos, a Páscoa celebra a ressurreição de Jesus Cristo. A semana que antecede a comemoração é chamada de Semana Santa.
  3. A comemoração da Páscoa  tem registros de milhares de anos atrás: povos da região do Mar Mediterrânico celebravam o fim do inverno, em março. No hemisfério norte, o calendário das estações do ano é diferente do nosso. 
  4. A figura do coelho está relacionada a esta data porque o bichinho representa a fertilidade, pois se reproduz com rapidez e as fêmeas dão à luz ninhadas numerosas.
  5. O ovo é um símbolo de renovação da vida. O costume de se trocar ovos na Páscoa começou nos primeiros tempos da comemoração. Mas a substituição dos ovos de verdade pelos de chocolate veio só no século 19, na Alemanha.
  6. A colomba pascal é um doce típico da festa. Criada na Itália, é um pão em formato de pomba, ave que simboliza a paz. Há versões com frutas secas e com gotas de chocolate.  
Fontes: Revista Viver Melhor - Março de 2016 - Edição 2

quinta-feira, 17 de março de 2016

Quando ocorre um surto psicótico

Um surto psicótico é caracterizado pela perda da noção de realidade e por uma desorganização do pensamento. Trata-se de um quadro preocupante, pois não sabemos qual será a evolução. Pode ser um surto psicótico breve (298.8 do DSM 4) indo até a esquizofrenia, um quadro mais grave. Pode também fazer parte de uma Depressão Psicótica.
Muitas vezes a pessoa não tem sentimento de doença ou seja não percebe que está fora da sua normalidade e por isso recusa tratamentos: "Para que médico e remédio se eu não tenho nada?" Sintomas como desorientação temporal, confusão mental, idéias de perseguição (delírios), escuta de vozes (alucinações), alterações comportamentais como descuido da higiene, agressividade e sintomas clínicos como insônia, perda de apetite com perda de peso fazem parte deste quadro.
Um sintoma muito importante seria a desconfiança; o paciente sente que os outros estão olhando para ele, falando dele, rindo dele ou planejanto algum mal contra ele. Paciente enxerga "ligações" entre as aparentes coincidências ou encontros que são interpretados como ameaças ou perseguição.
Em alguns casos a internação se faz necessária, como quando a agressividade é intensa, a recusa ao tratamento ou o risco de suicídio. O internamento pode durar alguns dias, o tempo necessário para o paciente sair da crise e aderir ao tratamento. Muitas vezes tentamos evitá-la pois o tratamento funciona quando feito em casa, desde que haja adesão no que diz respeito ao uso dos medicamentos, com algum familiar se dispondo a administrar o medicamento, a despeito da recusa do paciente.
Uma experiência freqüente é a consulta com familiares, que poderão ficar mais à vontade para descrever os sintomas, sem a presença do paciente, e a medicação ser administrada escondida em alimentos, sólidos ou líquidos ou até mesmo uma reunião familiar para insistir para que ele use os medicamentos que podem ser dados à noite. Isso funciona quando o paciente não é muito teimoso. Outras vezes o paciente aceita ir ao consultório, quando o médico pode minimizar o problema, dando o tratamento adequado e explicando que serve para insônia ou para o estresse, já que não é possível conscientizar o paciente sobre o seu transtorno nesta fase aguda.
A abordagem de aconselhamento com o paciente na crise, quanto ao problema mental não funciona. O tratamento medicamentoso é fundamental. Quando passar a crise ele reconhecerá que não esteve bem. Geralmente conscientização na fase aguda não é possível.
Do ponto de vista espiritual, há uma tendências de os religiosos argumentarem que se trata de algum transtorno espiritual, algo que excluiria a dimensão biológica e psíquica. O mesmo ocorre com os profissionais que não consideram os fatores espirituais. Na nossa opinião, a abordagem mais eficiente e consiste em uma integração das áreas médica, psicológica e apoio espiritual, respeitando a tradição religiosa do paciente. Estes tratamento podem ser feitos paralelamente sem nenhum prejuízo, pelo contrário.
É durante um surto psicótico que ocorre uma perda de realidade, onde não há diferenciação entre o mundo real e o imaginário da pessoa. "Quando a pessoa está em uma crise psicótica, ela confunde os pensamentos internos dela com o mundo real. Ela não consegue distinguir o que são os pensamentos dela e o que realmente está acontecendo no mundo", comenta o psiquiatra da Unifesp, Marcelo Fernandes.
Em alguns casos há ainda uma ruptura muito intensa no contato com amigos e com a própria pessoa. "O indivíduo começa a não se reconhecer e a não reconhecer o outro. Ele não entende a situação que está vivendo no momento, mesmo que esta seja muito intensa para ele", comenta o psiquiatra da Unicamp Mário Eduardo Costa Pereira.
Segundo Fernandes, os dois principais sintomas do surto psicótico são os delírios e alucinações. "Quando está em surto, o indivíduo não deixa de estar consciente, mas ele vê a realidade de uma maneira distorcida", explica.
Um caso freqüente entre indivíduos em surto é sensação constante de estarem sendo perseguidos. "Ele pode achar, por exemplo, que está sendo ameaçado ou mesmo perseguido. É uma sensação muito real e intensa. Nesses casos, o indivíduo pode cometer atos de violência contra pessoas próximas", relata Eli Cheniaux Junior, psiquiatra da Universidade Estadual do Rio de Janeiro.
A duração de uma crise psicótica varia de acordo com suas causas, e seu tratamento pode variar de acompanhamento médico ao uso de remédios. "Sob um estresse muito grande, a pessoa pode ter um surto psicótico que dure apenas horas. Esse tipo de crise, se tratada, pode não voltar a acontecer", comenta Fernandes.
No entanto, o psiquiatra Cheniaux afirma que, em sua maioria, os surtos duram, no mínimo, algumas semanas. "Casos de surtos breves e causados por um estresse muito elevado são muito raros", comenta. Ele lembra ainda que algumas vezes a crise pode estar relacionada a doenças genéticas, quadros de depressão ou de origem orgânica.
"É importante salientar que casos de crise psicótica causadas por um trauma muito brutal ocorrem geralmente em pessoas de personalidade sensível, que sempre foram tímidas e quietas, por exemplo", finaliza Pereira.
Pode ser causado por doenças como a esquizofrenia, por um trauma muito grande ou pelo uso de drogas, a exemplo da cocaína.
Caracteriza-se pelo aparecimento repentino de sintomas como alterações de comportamento, alucinações ou delírios. A pessoa em surto psicótico pode tornar-se agressiva, agitada, isolada ou com comportamento estranho e pode colocar a vida dela e de outros em risco.
O surto pode ser desencadeado por causas psiquiátricas (esquizofrenia, transtorno bipolar, uso e abstinência de substâncias etc.) ou condições médicas (infecções, condições pós-operatórias, intoxicação por medicamentos etc.). Um surto psicótico é uma emergência médica e exige tratamento especializado.
Como agir:
- Não confronte a pessoa em surto, mantenha uma postura neutra e compreensiva até que a ajuda especializada chegue
- Proteja o ambiente, afastando objetos que podem ser usados para agressão (como facas, armas e utensílios perigosos)
- Vigie a pessoa se houver risco de fuga ou autoagressão
- Se o surto é resultado do não uso de uma medicação habitual, administre-a imediatamente
- Se a pessoa em surto estiver sob tratamento, entre em contato com o profissional que a atende para orientações específicas
- Se houver risco de agressividade, suicídio ou homicídio iminente deve-se entrar em contato com a polícia para garantir a integridade da pessoa afetada e daqueles que estão com ela no momento do surto
- Caso os acompanhantes consigam manejar o indivíduo, ele deve ser encaminhado para um serviço médico de emergência, preferencialmente com atendimento psiquiátrico
- Em casos graves, internação psiquiátrica é necessária para investigação e intervenções apropriadas. Casos mais leves podem ser atendidos em ambulatórios e não necessitam internação
Psicose é o nome usado para um problema médico que afeta o cérebro de maneira que a pessoa perde o contato com a realidade. Quando a pessoa tem este problema de repente, dizemos que ela tem um episódio ou surto psicótico. Uma pessoa pode também ficar com a doença pelo resto da vida, o que chamamos de psicose crônica.
Psicoses ocorrem com mais freqüência no final da adolescência e início da vida adulta, algo entre os 17 e 28 anos de idade, mais ou menos. De cada 100 pessoas da população, 3 terão um episódio psicótico na vida. Ela atinge qualquer pessoa, de qualquer raça ou classe social.
Os sintomas principais são:
1) Pensamentos desorganizados – não se entende bem o que a pessoa psicótica está dizendo, não faz sentido o que ela diz. Pode haver dificuldade de concentração. Os pensamentos podem estar acelerados ou muito lentos.
2) Alucinações – so alterações da percepção. O psicótico vê coisas, ouve vozes ou sons, sente sabores que não existem na realidade. Pode ouvir vozes de perseguição, ver um animal querendo atacá-lo que não existe naquele ambiente.
3) Delírios ou crenças falsas – delírio é uma alteração do conteúdo do pensamento. Há delírios de grandeza (“Eu sou o presidente do país.”), de ciúme (“Todos me traem.”), de perseguição (“Você [dizendo para o médico] está aqui para me matar!”), místicos (“Eu sou Jesus Cristo.”), etc. A pessoa crê ser isto real. E nada a convence de que não é.
4) Mudança de sentimentos – ocorrem sem razão aparente. Sensação de isolamento do mundo, estranheza, como se tudo se movesse em câmara lenta, e ora muito alegre, ora deprimido demais, ou sem nenhuma emoção, como se fosse uma máquina.
5) Mudança de comportamento – a pessoa pode estar acelerada e agitado, andando de lá para cá o tempo todo, ou extremamente parada (catatonia), passando horas e dias sentada sem fazer nada com olhar perdido. Pode ficar rindo sem motivo (hebefrenia). A mudança do comportamento depende de outras alterações, por exemplo, se a pessoa tem alucinação auditiva de que uma voz está lhe dizendo para fugir, ela ficará muito inquieta e irá querer sair correndo. Ou pode estar muito assustada e não conseguir dormir. Outros param de comer porque há no delírio a idéia de que colocaram veneno na comida.
Num primeiro episódio psicótico a pessoa começa com alterações pouco perceptíveis, e ela pode descrever mudanças que percebe, como por ex., dizer que não consegue sentir sentimentos como antes, que alguns pensamentos perturbam, têm insônia, sente-se meio aérea como estando saindo da realidade. Em seguida a isto ocorre a crise aguda na qual surgem os sintomas psicóticos citados acima. Depois podem recuperar com tratamento. Muitos tem só uma crise na vida, outros têm recaídas e outros ainda nunca recuperam.
Alguns tipos de psicose são:
1) Psicose induzida por drogas – como álcool, maconha, cocaína, etc. Alguns dos usuários de drogas podem já ter tido comportamento um tanto psicótico e a droga piora seu estado mental, enquanto que outros desencadeiam o surto com o uso da droga.
2) Psicose orgânica – causada por lesão cerebral ou enfermidade física que altere o funcionamento do cérebro, como a encefalite, a AIDS, tumor cerebral, reação química a certos remédios em pessoas predisponentes talvez (pós-cirúrgico).
3) Psicose reativa breve – sintomas aparecem de forma súbita em resposta a um evento muito estressante para uma pessoa muito sensível. A pessoa recupera em poucos dias.
4) Esquizofrenia – quando há mudanças psicóticas por pelo menos seis meses. Atinge uma em cada 100 pessoas. Há diferentes tipos como a paranóide, hebefrênica, catatônica, simples.
5) Transtorno Bipolar – era chamada de psicose maníaco-depressiva. Há alteração do estado de humor caracterizado pela alternância de momentos de exagerada euforia (mania) com depressão. Na fase da euforia a pessoa se acha um deus onipotente e faz coisas fora da realidade, como comprar coisas sem ter como pagar, planejar viagens fantásticas, etc. Na fase depressiva pode escutar vozes que lhe dizem para matar-se.
6) Transtorno esquizoafetivo – a pessoa tem alterações como no bipolar e no esquizofrênico mas não se enquadra em nenhum dos dois diagnósticos.
O tratamento da psicose inclui:
Medicamentos prescritos por médico psiquiatra;
Orientação familiar;
Hospitalização se necessário;
Hospital-dia, CAPS nas cidades, Terapia Ocupacional;
Grupos de ajuda para familiares com psicose;
ajuda muito uma dieta vegetariana;
Também ajuda muita atividade física ao ar livre (caminhadas assistidas);
Hidroterapia (banhos de contraste quente-frio, etc.).
Generalidades
A psicose é um estado anormal de funcionamento psíquico. Mesmo não sabendo exatamente como são as patologias psiquiátricas, podemos imaginar algo semelhante ao compará-las com determinadas experiências pessoais. A tristeza e a alegria assemelham-se à depressão e a mania, a dificuldade de recordar ou de aprender estão relacionada à demência e ao retardo, o medo e a ansiedade perante situações corriqueiras têm relações com os transtornos fóbicos e de ansiedade. Da mesma forma outros transtornos psiquiátricos podem ser imaginados a partir de experiências pessoais. No caso da psicose não há comparações, nem mesmo um sonho por mais irreal que seja, não é semelhante à psicose.
A essência da psicose
Quando alguém nos conta uma história realista dependendo da confiança que temos nessa pessoa acreditaremos na história. Na medida em que constatamos indícios de que a história é falsa começamos a pensar que nosso amigo se enganou ou que no fundo não era tão confiável assim. Nesse evento o que se passou? Primeiro, um fato é admitido como verdadeiro, depois novos conhecimentos ligados ao primeiro são adquiridos, por fim a confrontação dos fatos permite a verificação de uma discordância. Do raciocínio lógico surgiu um questionamento. Essa forma de proceder provavelmente é exercida diariamente por todos nós. A forma de conduzir idéias confrontando-as com os fatos é uma maneira de estabelecer o contato com a realidade. O que aconteceria se essa função mental não pudesse mais ser executada? Estaríamos diante de um estado psicótico!

Pois bem, o aspecto central da psicose é a perda do contato com a realidade, dependendo da intensidade da psicose. Num dado momento a perda será de maior ou menor intensidade. Os psicóticos quando não estão em crise, zelam pelo seu bem estar, alimentam-se, evitam machucar-se, têm interesse sexual, estabelecem contato com pessoas reais. Isto tudo é indício da existência de um relacionamento com o mundo real. A psicose propriamente dita começa a partir do ponto em que o paciente relaciona-se com objetos e coisas que não existem no nosso mundo. Modifica seus planos, suas idéias, suas convicções, seu comportamento por causa de idéias absurdas, incompreensíveis, ao mesmo tempo em que a realidade clara e patente significa pouco ou nada para o paciente. Um psicótico pode sem motivo aparente cismar que o vizinho de baixo está fazendo macumba para ele morrer, mesmo sabendo que no apartamento de baixo não mora ninguém. A cisma nesse caso pertence ao mundo psicótico e a informação aceita de que ninguém mora lá é o contato com o mundo real. No nosso ponto de vista são dados conflitantes, para um psicótico não são, talvez ele não saiba explicar como um vizinho que não está lá pode fazer macumba para ele, mas a explicação de como isso acontece é irrelevante, o fato é que o vizinho está fazendo macumba e pronto. O psicótico vive num mundo onde a realidade é outra, inatingível por nós ou mesmo por outros psicóticos, mas vive simultaneamente neste mundo real.
Delírio, o principal sintoma
O delírio é toda convicção inabalável, incompreensível e absurda que um psicótico tem. O delírio pode ser proveniente de uma recordação para a qual o paciente dá uma nova interpretação, pode vir de um gesto simples realizado por qualquer pessoa como coçar a cabeça pode vir de uma idéia criada pelo próprio paciente, pode ser uma fantasia como acreditar que seres espirituais estejam enviando mensagens do além através da televisão, ou mais realistas como achar que seu sócio está roubando seu dinheiro. O delírio proveniente de eventos simples como coçar a cabeça são as percepções delirantes. Ver uma pessoa coçar a cabeça não pode significar nada, mas para um paciente delirante pode, como um sinal de que a pessoa que coçou a cabeça julga-o (paciente) homossexual. Quando a idéia é muito absurda é fácil ver que se trata de um delírio, mas quando é plausível é necessário examinar a forma como o paciente pratica a idéia que defende. O exemplo do vizinho acima citado também é um delírio. A constatação de um delírio não é tarefa para leigos, nem mesmo os clínicos gerais estão habilitados para isso; somente os psiquiatras e profissionais da área de saúde mental.
Surto Psicótico é um episódio de dissociação da estrutura psíquica do indivíduo, fazendo com que este mostre comportamentos socialmente estranhos e diferentes, devido à momentânea incapacidade de pensar racionalmente.
Começar o tratamento nos primeiros surtos evita sérias complicações e agravamento da psicose. Quanto mais cedo começarem o tratamento melhor o prognóstico do paciente.
Os surtos são comuns na esquizofrenia e podem ocorrer na fase maníaca aguda do transtorno bipolar. Também podem ocorrer devido a substâncias psicoativas, como álcool, maconha,[3] anfetamina, cocaína, etc.
Características
Durante o surto podem ocorrer manifestações de paranóia, alucinações e delírios.
O surto geralmente dura algumas semanas e pode ser encurtado de acordo com a medicação administrada. A medicação também pode impedir um surto ou torná-lo menos grave se ocorrer. Normalmente o surto é precedido por comportamentos estranhos do indivíduo, que só podem ser detectados poucos dias antes que este entre em crise. Sendo assim, é muito importante acompanhar pacientes nesta situação a fim de medicá-los antes do início do surto.
Segundo o DSM IV, um dos sintomas para se diagnosticar esquizofrenia é a duração do surto de, no mínimo, seis meses.
Não pode ser transmitida para outras pessoas, é uma desorganização mental grave e não tem poder para induzir outras mentes a fazer o mesmo. Surtos psicóticos também podem ocorrer em individuos portadores de diabétes tipo 1, pela incidência de baixas taxas de açúcar.
Quando os surtos psicóticos começam antes dos 20 anos o prognóstico é pior. A idade de início da esquizofrenia no homem (15 a 25 anos) é menor que na mulher (25 a 35 anos). Isso ocorre pelas diferenças entre fontes de estresse e hormônios entre homens e mulheres.
Início da esquizofrenia
Sintomas comuns de início de esquizofrenia incluem:
Regressão;
Confusão mental;
Transtornos de ansiedade que progridem para estado de pânico;
Delirium;
Delírio;
Excitação motora;
Insônia e;
Catatonia.
O surto psicótico é um importante preditor de esquizofrenia. É importante que nos primeiros surtos psicóticos haja uma intervenção na família, pois os surtos são altamente desestruturantes da estrutura familiar e a participação da família é essencial no tratamento das psicoses.[5]
Fontes:
Postado por Fábio Pires

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

O papel da família

SENTIMENTOS E EMOÇÕES

Os portadores de esquizofrenia, pelas características da própria doença, passam a maior parte de seu tempo com suas famílias, principalmente seus pais e irmãos. As pessoas diretamente ligadas a eles também sofrem com os desgastes provocados pelo transtorno.
A esquizofrenia pode interferir nas relações familiares, provocar sentimentos negativos, como raiva, medo e angústia, pela sensação de impotência que os sintomas trazem. Como reagir frente a um delírio ou uma alucinação, que comportamento deve se ter diante de alguém desmotivado, que se isola ou que reluta em fazer alguma atividade? Como aceitar os percalços que a doença traz sem descontar no paciente, sua principal vítima, as nossas próprias frustrações?
O impacto emocional que o adoecimento traz aos familiares é muitas vezes tão intenso quanto àquele que atinge o paciente. Algumas reações comuns entre os familiares, particularmente no início da doença, quando tomam conhecimento do diagnóstico, são:
→ Negação ou subestimação: sentimento de incredulidade ou de irrealidade, como se aquilo não estivesse acontecendo ou como se fosse um pesadelo do qual se poderia acordar a qualquer momento. O familiar pode criar fantasias acerca da doença, duvidar ou questionar seus sintomas, acreditar numa cura miraculosa ou achar que o problema é menor e não deve gerar preocupações.
→ Sentimento de culpa: procurar responsabilizar alguém ou a si próprio, buscar um culpado para a doença.
→ Sentimento de revolta: agir com raiva diante do paciente ou de outro familiar, por não aceitar a doença.
→ Superproteção: acreditar que a doença vai deixar o paciente incapacitado e dependente, desenvolvendo formas de controle e cerceamento que irão tolir a liberdade e limitar a autonomia da pessoa.
O familiar precisa de tempo e de informação para mudar seus sentimentos, refletir sobre suas convicções e perder os preconceitos. Aprender a lidar com os sintomas vem a partir da vivência cotidiana, que precisa de reflexão e reavaliação constantes. Nossas atitudes podem ser determinantes para o futuro da pessoa que sofre de esquizofrenia. Atitudes positivas contribuirão para uma melhor recuperação, um futuro mais promissor, com menores índices de recaída, maiores possibilidades para se trabalhar a autonomia e melhorar a qualidade de vida e dos relacionamentos. Atitudes negativas desgastam as relações, impossibilitam a recuperação plena e estão associadas a um maior número de recaídas e a uma evolução mais grave da esquizofrenia.
Emoção expressada (E.E.) é o termo dado por pesquisadores ao conjunto de atitudes, sentimentos e reações de familiares que refletem emoções desajustadas relacionadas à doença e ao familiar adoecido. Quando se diz que uma família tem altos níveis de E.E., significa que os relacionamentos estão em conflito, aumentando a sobrecarga e o estresse. A capacidade de solucionar os principais problemas trazidos pela doença e sua convivência fica muito prejudicada. Por esse motivo, altos índices de E.E. são um dos fatores que mais se relacionam às recaídas e a um pior prognóstico.
Os familiares e pessoas próximas precisam dedicar um tempo ao conhecimento dos aspectos da doença, como forma de compreender melhor seu familiar e amigo, refletir sobre suas atitudes, mudar padrões errados de comportamento e reduzir o grau de estresse, buscando solucionar da melhor forma os conflitos do dia-a-dia. Essa nova maneira de encarar a esquizofrenia vai se reverter em benefícios para si, aliviando o sofrimento e o impacto causados pelo adoecimento e, sobretudo, melhorando a convivência e o ambiente familiar.



PADRÕES EMOCIONAIS

Os sentimentos provenientes da convivência do familiar com o paciente podem se cristalizar com o tempo, ditando atitudes e comportamentos que se repetirão no dia-a-dia. Muitos não percebem que estão agindo de maneira errada, pois o padrão de relacionamento estabelecido está tão enraizado, que permeia, de forma automática, grande parte do contato entre eles. O familiar passa a ter dificuldade de agir de forma diferente, na maioria das vezes culpando o paciente por isso, quando, na verdade, ele próprio não vem conseguindo mudar o seu comportamento sozinho. Isso leva a um ciclo vicioso, onde não se sabe mais onde está a causa e a conseqüência.
Os principais padrões emocionais encontrados em familiares de esquizofrênicos são detalhados a seguir. Um mesmo familiar pode apresentar mais de um padrão.
→ Hipercrítica – atitude crítica em relação ao paciente, cobrando atividades, tarefas e resultados com um nível elevado (e, muitas vezes, incompatível) de exigência, resultando quase sempre em seu fracasso. O familiar pode se tornar demasiadamente crítico também em relação aos sintomas e comportamentos provenientes da doença e que o paciente tem dificuldade de controlar. Esta atitude resulta comumente num padrão mais hostil de relacionamento.
→ Hostilidade – atitude hostil e de briga, com discussões e desavenças freqüentes, que pode evoluir, em alguns casos, para agressividade verbal e física de ambas as partes.
→ Permissividade – atitude permissiva, descompromissada ou indiferente, que, em geral, revela a pouca disponibilidade do familiar de se envolver com o paciente, não se importando com coisas boas ou negativas relacionadas a ele.
→ Superproteção – atitude superprotetora, preocupação demasiada, tendência a tomar a frente do paciente nas decisões e atividades que lhe cabem, restringindo sua liberdade e autonomia. Pode ocorrer controle excessivo, gerando discussões e desentendimentos entre o controlador e o paciente, evoluindo para um clima hostil.
→ Superenvolvimento afetivo – alguns familiares anulam-se, deixam de reservar um tempo para si, para atividades sociais e de lazer, passando a cuidar exclusivamente do paciente. Podem desenvolver quadros afetivos que variam da estafa à ansiedade e depressão. Sacrificam muito o seu lado pessoal e deixam transparecer sua frustração e cansaço, passando a impressão de que o paciente é um estorvo ou culpado por seu sofrimento. Muitos precisam também de um tratamento médico e de um acompanhamento psicoterápico.
É importante que o familiar identifique se alguns dos padrões característicos estão ocorrendo e reflita sobre suas atitudes e sentimentos. Uma recomendação geral é que cada um possa dedicar parte de seu tempo às atividades que proporcione prazer, uma válvula de escape para o estresse. Ter um período sozinho, para se cuidar, fazer atividades físicas, ter uma leitura agradável ou para relaxar e refletir sobre si mesmo. Buscar atividades sociais e de lazer que incluam o paciente também ajuda a aliviar as tensões e a reaproximar as pessoas. Conversar, trocar idéias e experiências, buscar soluções em conjunto e dividir melhor a sobrecarga, buscando a união de todos para enfrentar as dificuldades do dia-a-dia.

TERAPIA E PSICOEDUCAÇÃO

A terapia de família na esquizofrenia é um dos tratamentos complementares de maior eficácia, com repercussão direta no estado clínico do paciente. Existem vários trabalhos científicos que comprovam seus efeitos na adesão ao tratamento médico, na redução de recaídas e de hospitalizações, na melhoria da qualidade de vida e autonomia do paciente. Para os familiares, a terapia pode ajudá-los a reduzir o estresse, a trabalhar melhor seus sentimentos e angústias, superando a sensação de culpa e/ou fracasso, a identificar preconceitos e atitudes errôneas e os auxilia na busca de soluções para os problemas cotidianos.
O modelo de terapia que mais tem se mostrado eficaz na esquizofrenia é o da psicoeducação de família, que acrescenta à terapia informações sobre a doença. Oferecer conhecimento teórico é imprescindível para ajudar o familiar a compreender melhor seu paciente, reavaliando julgamentos e atitudes. Esta importante etapa educativa o prepara para a etapa seguinte, a terapia propriamente.
A terapia pode ser individual (com um ou mais membros de uma mesma família) ou em grupo (várias famílias). Ela analisa as situações práticas do dia-a-dia e como cada um lida com os conflitos e soluciona os problemas, propondo uma reflexão. Ela pode recorrer a qualquer momento à etapa educativa para corrigir equívocos que porventura persistirem. Essa reflexão é essencial para que o familiar esteja mais receptivo a novas maneiras de lidar com o estresse e adquira maior habilidade no manejo e na solução das situações, reduzindo assim a sobrecarga e melhorando a qualidade do relacionamento familiar.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

O Estigma da Doença Mental: Que Caminho Percorremos? (artigo)




RESUMO 

O estigma da doença mental tem sido alvo de crescente atenção nos últimos anos, com um aumento exponencial de publicações sobre o tema. Este fenómeno constitui para os doentes uma fonte de sofrimento, representando um obstáculo à concretização de projectos pessoais e à integração social plena, objectivo principal da prática psiquiátrica atual. Neste artigo, os autores fazem uma revisão selectiva do tema do estigma da doença mental, abordando as suas definições, origens, repercussões, vivências dos doentes e abordagens para o combater. A literatura revela tratar-se de um fenômeno complexo, cujas definições provêm de diferentes campos do conhecimento (sociologia, psicologia e psiquiatria). O seu impacto na vida das pessoas com doença mental é evidente, condicionando perda de oportunidades, prejuízo da auto-estima e auto-conceito, qualidade de vida, suporte social e empoderamento e atuando como uma barreira ao desempenho dos papéis sociais habituais. O estigma parece ainda comprometer o acesso a cuidados de saúde, não apenas ao tratamento psiquiátrico, mas também a cuidados médicos gerais, com aumento da morbilidade e mortalidade desta população vulnerável. Tem sido dedicado um considerável esforço à compreensão deste fenômeno e ao delinear de estratégias anti-estigma, que passam também pela sensibilização dos profissionais de saúde para o tema, tendo em vista a melhoria da prática clínica e qualidade dos cuidados prestados.

Palavras-Chave: Estigma; Doença Mental; Estratégias Anti-estigma

Leia o artigo completo em: http://www.psilogos.com/Revista/Vol11N2/Indice15_ficheiros/Estigma%20doenca%20mental.pdf

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Estigma



A palavra estigma tem origem grega e significa marcar, pontuar. Os gregos marcavam o corpo de pessoas quando buscavam evidenciar alguma coisa de extraordinário ou mau sobre seu status moral e assim possibilitavam que ela fosse facilmente identificada e evitada. Um estigma é na realidade um tipo especial de relação entre um atributo da pessoa e um estereótipo negativo e acaba sendo visto como algo que a define mais do que um rótulo a ela aplicado.
O estigma está relacionado a conhecimentos insuficientes ou inadequados (estereótipos), que leva a preconceitos (pressupostos negativos), à discriminação (comportamentos de rejeição) e ao distanciamento social da pessoa estigmatizada.

Estudos realizados desde os anos 1950 demonstram que as pessoas em geral apresentam grande desconhecimento sobre as doenças mentais e uma reação negativa diante dos doentes mentais, considerando-os “relativamente perigosos, sujos, imprevisíveis e sem valor”. Essa percepção acaba por provocar sentimentos de “medo, desconfiança e aversão” pelos portadores de doenças mentais. O processo de desinstitucionalização dos doentes mentais – fechando hospitais psiquiátricos e abrindo serviços comunitários e residências terapêuticas – infelizmente tem contribuído para o crescimento do estigma na medida em que a população fica mais exposta a contatos com doentes mentais graves, sem o necessário incremento de informações sobre a real situação deles. A ideia de que os doentes mentais são violentos é muitas vezes difundida pela mídia e não encontra respaldo na realidade na medida em que, na maioria das vezes, os portadores são mais vítimas de violência que perpetradores desta.

Assim, o estigma relacionado às doenças mentais, além de associar-se a  uma visão estereotipada de imprevisibilidade e violência, associa-se também à negação de direitos humanos dos portadores, frequentemente contribui para sua exclusão social e os coloca em posição de desvantagem quando buscam emprego, moradia, estudo, direitos previdenciários e mesmo acesso a tratamento, e produz autoestigma e baixa autoestima, contribuindo para pior qualidade de vida. Usualmente, o estigma e a discriminação em relação as pessoas com  doenças mentais se estendem a família, amigos e mesmo a profissionais e serviços de saúde mental, observando-se uma discriminação orçamentária da saúde mental nas políticas de saúde pública.

As estratégias para mudar atitudes estigmatizantes usualmente envolvem educação (informações sobre as doenças mentais e as pessoas com esquizofrenia) – que não se mostra duradoura e não necessariamente muda atitudes, contato por meio da interação direta de pessoas com esquizofrenia e protesto (buscando suprimir atitudes estigmatizadas, principalmente na mídia), sendo esta última a menos eficiente. Mais recentemente, estratégias favorecedoras de empoderamento (empowerment) das pessoas com esquizofrenia têm sido preconizadas de forma a promover sua participação efetiva no planejamento terapêutico e na própria avaliação dos serviços de saúde mental.


Consequências

Quando rotulamos alguém, não olhamos para o que essa pessoa realmente é ou sente.
Se nos referimos a alguém que tem um transtorno mental como “louco”, “esquizofrênico”, “leso” ou “noia”, esses termos são usados como rótulos e trazem mais sofrimento para estas pessoas.

O uso de rótulos negativos “marca” e desqualifica uma pessoa. Esta marca é o que chamamos de estigma. As pessoas estigmatizadas passam a ser reconhecidas pelos aspectos “negativos” associados a esta marca, ou rótulo.
O estigma é gerado pela desinformação e pelo preconceito e cria um círculo vicioso de discriminação e exclusão social, que perpetuam a desinformação e o preconceito. As consequências para as pessoas que sofrem o estigma são muito sérias:
  • O estigma e a discriminação tornam mais difícil para as pessoas que sofrem de algum transtorno mental reconhecer que tem algum problema e procurar apoio e tratamento.
  • Por causa do estigma e da discriminação, as pessoas que sofrem de transtornos mentais são frequentemente tratadas com desrespeito, desconfiança ou medo.
  • O estigma e a discriminação impedem as pessoas que tem problemas de saúde mental de trabalhar, estudar e de relacionar-se com os outros.
  • A rejeição, a incompreensão e a negligência exercem um efeito negativo na pessoa, acarretando ou aumentando o autoestigma, imagem negativa que as pessoas com esquizofrenia desenvolvem a respeito de si. Estudos têm mostrado que o estigma é a influência mais negativa na vida das pessoas com algum transtorno mental
  • A discriminação causa dano: destrói a autoestima, causa depressão e ansiedade, cria isolamento e exclusão social.

Por que as pessoas com esquizofrenia são estigmatizadas? Estas pessoas são estigmatizadas porque a família, os amigos e as pessoas em geral não entendem esta doença. A esquizofrenia não é resultado de uma fraqueza da pessoa, nem é causada por problemas familiares ou espirituais.

As pessoas com esquizofrenia não têm "dupla personalidade" e a maioria não é perigosa nem ataca os outros quando adequadamente tratadas. No entanto, o público em geral, e até mesmo alguns profissionais de saúde, tendem a manter uma imagem estereotipada de pessoas com esquizofrenia. Você pode ajudar a combater o estigma, desfazendo equívocos!